1.18.2008

Fisher's Clock



Checkmate for Fisher! Nem a defesa Fisher o safou...


Bobby Fisher morreu hoje na Islândia, país de que era cidadão desde 2005. Após a perda da nacionalidade norte-americana na sequência de uma perseguição política que lhe foi movida pelo governo fascista dos EUA e a sua iminente deportação do Japão ( nem o facto de estar casado com uma japonesa e já não ser cidadão dos EUA o safava) foi-lhe concedida a nacionalidade Islandesa e passou a viver em Reikjavik.
Fisher que sempre teve um feitio muito dificil e tiques de prima-dona, aparecia ocasionalmente a dizer paranoícos disparates anti-semitas (ele próprio era judeu) e anti-americanos. Na última década debitou mensagens raivosas em catadupa numa rádio filipina levando várias pessoas que lhe eram próximas a especular sobre a sua sanidade mental. Há vários meses que estava hospitalizado por problemas fisicos e mentais.

Para além do xadrez convencional, Fisher era perito em flippers, no jogo do 15 (um puzzle que se baseia em permutações) e noutros tipos de puzzles, inventou uma variante de xadrez em que se baralham as peças (fisherrandomchess), escreveu vários livros e patenteou um relógio de xadrez digital.


A aptidão para o xadrez poderá ter sido herdada da mãe, uma polímata que foi professora primária, enfermeira, obteve um doutoramento em hematologia, viveu em vários países e falava fluentemente 6 linguas. Em simultâneo criou sózinha os dois filhos porque o marido a abandonou ainda antes de Fisher nascer. Especula-se aliás sobre a possibilidade de este não ser o pai de Fisher, já que não vivia com mãe quando este foi concebido. Suspeita-se que o pai biológico seja um fisico húngaro que trabalhou no projecto Manhattan e morreu nos anos 50.

A familia de Fisher era bastante pobre quando este era criança. Bobby parece nunca ter recuperado de um certo medo da pobreza. Exigia somas avultadas de dinheiro para jogar e envolveu-se em inúmeros litigios judiciais por direitos de autor e de transmissão de imagem. Frequentemente achava que o estavam a explorar. A avidez por ganhar a todo o custo se possível humilhando o adversário também nunca o abandonou. Seria esta necessidade um reflexo de não ter tido uma figura paternal e de aos 17 anos já viver sozinho (afastou-se também da mãe e da irmã)? ou de ter um enorme complexo de inferioridade por nem ter concluído o liceu enquanto a maior parte dos seus adversários eram gente muito culta? nunca se saberá, o certo é que se afastou do Xadrez quando o medo de perder o dominou e se isolou cada vez mais do mundo.

Com o passar dos anos Fisher tornou-se cada vez mais estranho. Longos periodos de isolamento e quase misantropismo (vestia-se como um mendigo e vivia em pensões manhosas) alternavam com fases mais sociáveis em que admitia vir a jogar xadrez outra vez. Pelo meio ficam ligações a uma seita religiosa americana que lhe esvaziou os bolsos e a automedicação com produtos ervanários variados. Nas últimas 2 décadas passou a estar cada vez mais instável mentalmente misturando teorias da conspiração com perseguições imaginárias.

Mas Fisher deve ser lembrado pelo trabalho notável que fez no Xadrez. Antes dele o xadrez nunca tinha tido dimensão mundial, não era popular e os prize moneys eram baixos. Depois dele milhares de jovens quiseram jogar xadrez e as suas tácticas ficaram para sempre.

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1 Comments:

Blogger Heide Wittgensz said...

Nice blog!

2:11 am  

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