11.17.2005

As Sete Filhas de Eva

7mothersofeve

Há uns tempos contei isto a uns amigos. Uns fartaram-se de rir e outros ficaram com um ar incrédulo provavelmente a pensar que eu pirei de vez!
Lamentavelmente para eles, a conversa era a sério. O que se segue é o que de mais actual há em investigação científica em Antropológia Genética Humana. Claro que não exclui que futuras descobertas provem que esta teoria não está 100% certa, mas o grau de certeza de partes da teoria é elevado.

O DNA mitocondrial (mtDNA) é extremamente estável. Em média apenas sofre uma mutação a cada 20 000 anos. A sua mensagem genética é assim propagada através dos tempos até ao homem moderno quase sem alterações. Verifica-se que existem diferenças significativas entre o mtDNA dos europeus, dos africanos, dos nativos americanos, dos siberianos e dos sub-saharianos. Em 2002, peritos em genética e antropologia acreditavam que apenas existem 36 grupos genéticos distintos em todo o mundo.

Dentro da Europa existem actualmente apenas 7 sequências de controlo diferentes no mtDNA (haplogrupos). Isto significa que qualquer europeu branco pode seguir a sua ascendência até 1 de entre 7 mulheres- Adequadamente baptizadas como as sete filhas de Eva. Estes 7 grupos matriarcais foram identificados por especialistas em genética humana da Univ. de Oxford.

Uma parte do trabalho destes cientistas consistiu em analisar cerca de 6000 amostras de mtDNA de europeus contemporâneos. Os resultados permitiram-lhes estabelecer que as nossas 7 "mães" viveram há entre 8000 a 45000 anos atrás. Mais interessante ainda, o trabalho de outros peritos permitiu construir uma teoria que afirma que as sete filhas de Eva descendem todas de um mesmo clã que ainda subsiste actualmente em África- O clã de Lara. Esta teoria data dos anos 80 e ficou conhecida como teoria da Eva Africana. Se virmos bem o que ela afirma é que descendemos todos de um mesmo antepassado feminino.

As sete filhas de Eva foram baptizadas e as suas rotas migratórias são conhecidas:

  • Helena - O clã com maior número de descendentes na Europa. Há 12000 anos atrás migraram da zona dos Pirineus para norte. Os membros deste grupo estão actualmente dispersos por toda a Europa.
  • Jasmine - Há 10000 anos ainda viviam na actual Siria. São apontados como os prováveis implantadores da agricultura na Europa.
  • Katrine - Há 15000 anos viviam na região de Veneza. A maior parte dos descendentes ainda está na zona dos Alpes.
  • Tara - Há 17000 anos estavam no norte de Itália. No final da idade do gelo deslocaram-se para França e para a Irlanda.
  • Ursula - Viveu há 45 000 anos na Grécia e o clã migrou para norte.
  • Valda - Há 17 000 anos este clã encontrava-se na península ibérica. Após a idade do gelo migraram para a escandinávia, mais concretamente para a zona da lapónia.
  • Xenia - Encontrava-se no Caúcaso e no mar Negro há 25 000 anos. Mais tarde migrou para toda a Europa, Ásia e América. É uma linhagem rara na Europa e surge em nativos norte-americanos das tribos Sioux e Ojibwa.

primordial clans

A empresa OxfordAncestors criada por Bryan Sykes permite analisar o seu mtDNA e determinar quem foi a sua mãe primordial e que mutações ocorreram entretanto, ao mesmo tempo que está a contribuir para a construção da árvore familiar de DNA mundial. Nos Estados Unidos também há várias empresas que se dedicam ao mesmo, como por exemplo a FamilyTree DNA. Não tarda nada em Portugal um grupo de doutorados em genética também cria uma! Para azar a % de portugeses que se interessa por árvores genealógicas, primordiais ou não, é muito inferior à de anglo-saxónicos, provavelmente os campeões mundiais da obsessão por genealogia.

Referências:

Bryan Sykes - "The seven daughters of Eve", ed. W. W. Norton & Company (May, 2002). Livro de divulgação científica de leitura acessível a leigos.

Richards MB, Macaulay VA, Bandelt HJ, et al. Phylogeography of mitochondrial DNA in western Europe. ANNALS OF HUMAN GENETICS 62: 241-260 Part 3 MAY 1998.

WilkinsonHerbots HM, Richards MB, Forster P, et al. Site 73 in hypervariable region II of the human mitochondrial genome and the origin of European populations. ANNALS OF HUMAN GENETICS 60: 499-508 Part 6 NOV 1996.

H. J. Bandelt, P. Forster, B. C. Sykes, M. B. Richards. Mitochondrial Portraits of Human Populations Using Median Networks. Genetics, Vol 141, 743-753, 1995.

Saara Finnila, Mervi S. Lehtonen, Kari Majamaa. Phylogenetic Network for European mtDNA. Am. J. Hum. Genet. 68:1475–1484, 2001.

Antonio Torroni at al. A Signal, from Human mtDNA, of Postglacial Recolonization in Europe. Am. J. Hum. Genet. 69:844–852, 2001.

Martin Richards et al. Tracing European Founder Lineages in the Near Eastern mtDNA Pool. Am. J. Hum. Genet. 67:1251–1276, 2000.

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4 Comments:

Blogger RAA said...

Fascinante.

10:34 pm  
Anonymous Anonymous said...

a minha professora de Biologia flou neste livro, parece mesmo muito intressante

11:52 am  
Blogger mzimbres said...

No caso do Adão , só existiu um!

7:14 pm  
Anonymous Auricélio Gonçalves said...

O livro "As sete filhas de Eva", de Bryan Sykes, foi lançado no Brasil pela editora Record, em 2003. A leitura não é dificil e o livro é muito bom.

3:14 pm  

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